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Escrito por Ricardo Pertence Gomes gomespertence   

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 Seis estratégias de pequenas e médias empresas que encontraram no design uma arma poderosa para crescer no Brasil

Las seis estratégias de pequeñas y medianas empresas brasileras que encontraron en el diseño un arma poderosa para crecer 

Tomado de la revista EXAME 


  Valéria França
EXAME

Há algum tempo o design vem sendo utilizado por grandes empresas de todos os setores como arma para aumentar a competitividade em seus mercados. Num mundo em que as tecnologias, cada vez mais copiáveis, perdem o poder de diferenciar uma marca de outra rival, a beleza e a utilidade proporcionadas por um projeto muitas vezes são o que mais pesa na escolha do consumidor. Assim, era uma questão de tempo que o design passasse também a fazer parte das estratégias de pequenas e médias empresas em expansão.

"É enorme o potencial do design para os pequenos negócios", diz o consultor Paulo Sergio Franzosi, especializado na área. Estudo da Confederação Nacional da Indústria feito no ano passado mostrou que esse potencial vem sendo aproveitado. Das pequenas empresas brasileiras, 43,2% já investem em design para aprimorar seus produtos. Desse universo, 53,7% conseguiram aumentar as vendas por esse caminho. As seis histórias contadas nas páginas seguintes são reveladoras de como o design, aliado a uma boa estratégia, pode ter um efeito impulsionador do crescimento. Em alguns casos, como o da fabricante de armários para cozinha Bontempo, o design salvou-a da morte. Em outros, como o da carioca Spirit, é sua razão de viver.


Dominici

O design ampliou o mercado da empresa

A paulista Dominici fabrica luminárias desde 1946, mas pode-se dizer que ela só começou a trilhar o caminho do crescimento acelerado de cinco anos para cá. Nesse período, seu faturamento, hoje na casa dos 5 milhões de reais por ano, vem aumentando a um ritmo anual de 20%. Essa expansão coincide com a opção da empresa pelo design próprio. O reposicionamento do negócio, comandado por Marc Van Riel, de 57 anos, começou em 2000. Em vez de apenas importar objetos exclusivos, Van Riel criou um departamento de criação interno, coordenado pela designer Baba Vacaro. Hoje, dos 140 produtos vendidos, 60% são criações da Dominici. Com isso, o leque de produtos pôde crescer, de forma a atender uma gama ampla de consumidores. Além de satisfazer clientes dispostos a pagar 15 000 reais por um lustre importado da Dinamarca, agora também é possível atender consumidores de classe média que desejam iluminar suas casas com formas inusitadas, como as das luminárias quadradas pregadas na parede, que aparecem na foto ao lado e custam 843 reais. No modelo de negócio da Dominici, o design é próprio -- mas a produção é terceirizada. "Concentramos nossos esforços no design, que é o que sabemos fazer", diz Van Riel. "Destinamos 6% de nossas receitas para essa área, que se tornou estratégica para nós."
 
   Bontempo

O design de armários de cozinha salvou a empresa da falência

Importar design foi a salvação da Bontempo, fabricante de armários de cozinha. A empresa decolou nos anos 70 com a produção de complementos para móveis de jardim, como colchões, almofadas e guarda-sóis. Ao tentar diversificar a produção para aumentar as receitas, partiu para a fabricação de móveis populares. Mas, como se tratava de um produto de baixa rentabilidade, o lucro dependia do volume de vendas. Por isso, a Bontempo tornou-se refém dos grandes magazines e por pouco não faliu. Na sua primeira visita a uma feira de design de Milão, no final dos anos 80, o empresário gaúcho Rosmar Stedile, de 49 anos, decidiu comprar o direito de produzir portas deslizantes para seus armários, que ainda não eram conhecidas por aqui. "Ao desembarcar no Brasil, os revendedores acharam a novidade esquisita", diz Stedile. "Como ninguém acreditou no sistema, investi em lojas próprias." Assim que o produto pegou no mercado, ele adotou as franquias para expandir os negócios. "Tirei a empresa do buraco", diz. O passo seguinte foi mandar uma equipe a Milão para desenvolver um sistema de pranchas recheadas com um tipo de papelão organizado em formato de casas de abelhas -- leves e resistentes como uma colméia de verdade. A inovação chegou num contexto cultural em que as cozinhas passavam a ser vistas como um espaço de convivência. Stedile usou a tecnologia para produzir armários para a casa toda. Com o aumento do interesse das famílias de classe média por cozinhas, a Bontempo acabou se destacando no mercado. O ciclo de crescimento trouxe 48 milhões de faturamento no ano passado, vindos de 30 lojas franqueadas.
    Spirit

O design fez a empresa ganhar espaço num mercado de grandes

O empresário carioca Felipe Pech, de 51 anos, nunca se conformou com a imutabilidade dos ventiladores. Há décadas, o que se via no mercado eram as mesmas hélices brancas, protegidas por grades de plástico. A pasmaceira se repetia nos modelos de teto. "Eu achava que havia mercado para modelos mais criativos", diz ele. Movido por essa convicção, Pech largou o cargo de executivo num grande magazine, abandonou sua carreira de 20 anos no varejo e juntou 300 000 reais, entre suas economias e de alguns investidores. Chamou o designer Guto Índio da Costa e, em 2002, lançou o Spirit (ao lado), o primeiro ventilador de teto brasileiro com duas pás, em vez das três ou quatro tradicionais. E, além disso, lançou a novidade em cores vibrantes, como verde-limão, abóbora e rosa-choque. "O produto agradou logo de cara", diz Pech.

A aerodinâmica do Spirit foi inspirada na hélice do avião usado pelo americano Charles Lindbergh, o primeiro a atravessar o oceano Atlântico num vôo-solo, em 1927. A aeronave -- o Spirit of Saint Louis -- deu nome ao produto e à própria empresa. Guardadas as devidas proporções, pode-se dizer que o Spirit também foi pioneiro, pois permitiu à empresa desbravar um mercado até então dominado por grandes marcas, como Arno e Electrolux. No primeiro ano, foram vendidas 75 000 unidades. No seguinte, as vendas dobraram. A expectativa é que em 2006 sejam vendidos 280 000 ventiladores.

No ano passado, a Spirit faturou 45 milhões de reais, 42% mais do que em 2004. Estima-se que a empresa já tenha mais de 12% de participação no mercado de ventiladores de teto. "O design foi estratégico para aumentar a rentabilidade de um produto no qual os consumidores pouco viam diferença de uma marca para outra", diz Pech. O preço do Spirit é de cerca de 290 reais, ante os convencionais, que custam de 89 a 200 reais, dependendo do modelo. Agora Pech está à caça de outros mercados carentes de inovação. Ele acabou de lançar um guarda-sol com cúpula invertida que resiste ao vento. Resta saber como seu público vai receber a novidade.
   Origin

O design abriu o mercado externo para a pequena empresa

A história de como o design está turbinando a Origin, do Rio Grande do Sul, é inspiradora porque derruba dois mitos. O primeiro: pequenas empresas não têm acesso ao mercado internacional. Com apenas 2 milhões de reais de faturamento, a Origin, criada pelos sócios Marcelo Adames e Alex Rech, ambos de 31 anos, já exporta 20% da produção de baldes para gelo e saladeiras, entre outros objetos de madeira, para países como México, Austrália, Dinamarca, França e Coréia do Sul. O segundo mito: design é apenas sinônimo de objeto bonito. Sim, os produtos da Origin são bonitos, mas a empresa não teria conquistado mercados tão exigentes se não tivesse resolvido o grande problema da maioria dos utensílios de madeira destinados a alimentos que existem no mercado -- as dificuldades com higienização e segurança. Os produtos recebem proteção antimicrobiana e são fixados com cola atóxica, técnicas importadas dos Estados Unidos. A isso aliou-se um apelo ecológico -- as matérias-primas vêm de madeira de reflorestamento, cuja origem é certificada. "Nos mercados que estamos conquistando, design e ecologia andam juntos", diz Rech. O poder multiplicador da junção dos dois conceitos está na base do crescimento da Origin. A empresa nasceu há apenas dois anos e começou timidamente, com três funcionários, capital de 120 000 reais e produção de 80 peças por mês. Hoje, a Origin tem 20 funcionários e produz 1 000 peças mensais.


   Riva O design ajudou a aumentar a produtividade

Na nova linha de produtos da Riva, fabricante gaúcha de peças de inox e prata, o design propiciou redução de quase 15% no consumo de matéria-prima. O empresário e designer Rubens Simões, de 41 anos, desenvolveu objetos cujos detalhes utilizam as sobras de aço inox de outros produtos da companhia. Além disso, os novos projetos permitiram um salto de produtividade. Até o ano passado, puxadores e alças eram soldados um a um. Agora os desenhos permitem que as peças sejam feitas com uma única chapa, sem emendas. O tempo consumido para a produção desses itens diminuiu 70%. Quando fundou a empresa, em 1988, Simões pesquisava novos materiais, como junco e vidro, que trouxessem leveza visual aos objetos. "Hoje o design faz parte de uma estratégia para valorizar nossa marca", diz Simões. Graças ao avanço em design, a empresa cresceu, fatura 10 milhões de reais por ano e começou a ser vista como referência -- recentemente, uma proposta de saleiro e pimenteiro (ao lado) c om linhas minimalistas ganhou um importante prêmio do setor.
    Coza

O design foi fundamental para que a empresa conquistasse as grandes redes de varejo

Fundada nos anos 80, a Coza nasceu produzindo calçados na cidade gaúcha de Caxias do Sul. Anos depois, com a morte do fundador, Rudy Luiz Zatti, a viúva, Vera, hoje com 63 anos, assumiu os negócios, apoiada pelas filhas Cristina, de 42 anos, Daniela, de 39, e Manuela, de 28. No final dos anos 80, elas vislumbraram um futuro mais promissor em outro mercado -- o de utilidades domésticas de plástico (à dir.), a mesma matéria-prima dos sapatos, cuja produção acabou sendo abandonada. Os 21 milhões de reais de faturamento colhidos pela Coza no ano passado -- quatro vezes mais do que em 2000 -- não vieram da venda daqueles recipientes branquelos e quadradões, sem nenhuma personalidade. O que permitiu à Coza deixar de ser mais uma pequena empresa no setor foi a produção de seis linhas com mais de 180 itens, que incluem açucareiros, porta-talheres, travessas, potinhos e cestas bem coloridas. Seus formatos inusitados permitem encaixá-los ou empilhá-los com muita facilidade.

Aliada a uma estética que agradou aos consumidores, a capacidade de ocupar pouco espaço ajudou a Coza a expor uma boa variedade de itens nos grandes supermercados, como Carrefour e Wal-Mart, onde a disputa por um lugar na prateleira é duríssima. "A Coza só evoluiu por causa do design", diz Daniela, presidente da empresa. "É isso que torna nossos produtos desejados e, ao mesmo tempo, competitivos." De dois anos para cá, a Coza conquistou destaque crescente nas seções de utilidades do Pão de Açúcar, a maior rede de supermercados do país, que responde por 10% das vendas. Recentemente, a Coza passou a produzir luminárias. A previsão é que o novo produto a ajude a chegar a 24 milhões de reais de faturamento até o fim do ano.
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   Valéria França
EXAME

















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