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| Gestão do design em pequenas empresas |
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| Escrito por Roberto Santos Reis Beto | |||||||||||||||
| viernes, 15 de septiembre de 2006 | |||||||||||||||
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Design significa, etimologicamente, projeto. A atividade começou a evoluir após a revolução industrial. No começo, a preocupação era com a produção. Não havia nenhuma concorrência. Com o tempo as indústrias começaram a se firmar. No entanto o produto final delas era praticamente o mesmo. Por conta disso, era a tradição contava na hora da escolha do produto. A partir do momento em que o consumidor passou a ter opções de escolha, a estética e funcionalidade do produto começaram a ser trabalhadas. Assim, o design se transformou em uma ferramenta de diferenciação entre as empresas, aliado a outras atividades como o marketing.
O empresário pode então se questionar: sim, mas quais as vantagens da aplicação do design nas empresa? É preciso entender que, para que uma empresa obtenha sucesso, é necessário que o produto ou serviço oferecido, seja bem recebido pelo consumidor-cliente. O desafio do empresário, de grandes, médias e pequenas empresas, é conquistar a confiança do seu público. Uma das estratégias para alavancar as vendas e manter as empresas no mercado é a agregação de valor aos produtos ou serviços prestados. “O Design é uma das ferramentas que tem sido utilizada para agregar valor aos produtos e serviços, auxiliando na conquista de novos mercados. O Design auxilia na melhoria de aspectos funcionais, ergonômicos e visuais dos produtos, buscando além de atender as necessidades dos consumidores, melhorar o conforto, a segurança e a satisfação dos usuários. As empresas que já se utilizam desta ferramenta, têm obtido resultados positivos na introdução de diferenciações nos produtos e têm conseguido se destacar perante seus concorrentes.” [1›]
Agregar valor, neste caso, é trazer junto às funções básicas do produto ou serviço, características que venham a somar benefício e trazer conforto ao cliente. As casas lotéricas, por exemplo, serviam apenas para jogos e, alguns meses após as instalações, passaram a receber pagamentos de contas de telefone, de energia entre outras.
O diretor-presidente do Sebrae, Paulo Tarciso Okamotto, mostra dados relevantes que explicitam a importância da interferência dessa atividade nas empresas:
“Pesquisa da Open University na Inglaterra, com 221 pequenas empresas, mostrou resultados importantes: em 90% dos casos, elas obtiveram lucros com o novo design, registrando retorno do capital investido em 15 meses; ampliaram em 40% as vendas pelas modificações no design dos produtos; 25% dos projetos abriram novos mercados para os produtos dessas empresas.
No caso brasileiro, pesquisa da CNI, a Confederação Nacional da Indústria, em 500 empresas de diversos setores, revelou que 75% delas obtiveram aumento de vendas em função da utilização do design e 41% reduziram custos de produção.”[2›]
Apesar da quantidade de benefícios advinda do design ser significante, apenas os grandes empresários utilizam deste recurso. Os donos das pequenas empresas desconhecem ou têm uma visão deturpada dessa atividade. É importante que o pequeno empresário entenda que design não é meramente estética. Sua ação vai muito mais além do que o conceito de beleza. As soluções encontradas são frutos de estudos e pesquisas realizadas de maneira que venham a se adequar à necessidade da instituição. É um instrumento que pode servir de apoio às empresas de pequeno porte.
Como as pequenas empresas podem se beneficiar dessa atividade? Sabe-se que, atualmente no país, 470 mil micro e pequenas empresas iniciam suas atividades a cada ano, mas 49,4% delas fecham as portas antes de completar dois anos [3›]. Abre-se aqui um espaço para definir pequenas empresas. De acordo com a OCDE (Organization for Economic Corporation and Development), para ser considerada pequena empresa, o número de funcionários não pode ultrapassar 100. No Brasil, está valendo a lei 9.317/96, de 5 de dezembro de 1996, que considera “empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais).” [4›]
A Gestão do Design nas pequenas empresas pode até mesmo ampliar o mercado de atuação de quem contrata esse serviço. Mas afinal, o que é gestão de design? Segundo o dicionário, a palavra gestão, significa gerir, administrar. Segundo Luis Emiliano Avendaño, cosultor de design, ela é definida como “o conjunto de atividades de diagnóstico, coordenação, negociação e design que comparecem tanto na atividade de consultoria externa como no âmbito da organização empresarial, interagindo com os setores responsáveis da produção, da programação econômica-financeira e da comercialização, com a finalidade de permitir uma participação ativa do design nas decisões dos produtos.” [5›] Segundo Fennemier Gomer, citada em dissertação de Tatiane Shoneweg Melo, a gestão de design “é responsável pelo design, pela implementação, manutenção e constante avaliação de tudo a que se refere a identidade corporativa, desde um panfleto até o uniforme.”
Na Infopaper de dezembro de 2004, foi mostrado o exemplo de uma indústria de móveis de pequeno porte, que resolve investir em gestão de design para dar um padrão a seus produtos. “Com a nova política de planejamento e desenvolvimento, esta empresa teve um ganho de produtividade em torno de 20%, considerando a reestruturação do layout fabril e equipamentos.” [6›]Além disso, houve um aumento de produtividade, alguns processos foram terceirizados e alguns funcionários foram reposicionados de maneira que passaram a receber uma quantia equivalente à atividade exercida. “Após a conclusão do projeto, o designer ainda pode prestar suporte à indústria para implementação de outras políticas como a Gestão da Qualidade e ISO 9000, Gestão Ambiental e ISO 14000, Selo Verde etc.”[7›]
E como é possível criar uma estratégia de design correta para um determinado produto ou serviço? Esta pergunta incomoda boa parte dos profissionais deste setor. Na verdade, o profissional da área de design deve atuar diretamente ligado à tradição, costumes e preferências de um determinado público-alvo. O designer trabalha seguindo uma metodologia que inicia com o briefing, a detecção de problemas e passa pela pesquisa de mercado, análise dos concorrentes e da empresa que o contratou até que se gere um conceito e se crie uma proposta.
Qual a solução para a conscientização dos empresários para importância do design? Instituições como o Sebrae, percebendo que o design é uma ferramenta que pode ajudar no processo de sustentação dessas empresas no mercado, criou programas como o Via Design que têm, como objetivo principal, a divulgação dessa área para pequenos empresários e empreendedores.
É possível perceber diante dos dados e depoimentos expostos, que a gestão do design é um ponto a favor do empresário contra a concorrência. Numa sociedade onde a identidade é essencial e o que é diferente chama a atenção, o design pode aparecer como um aliado na batalha para destacar uma empresa no mercado. Se aplicado corretamente, sem déficit em nenhuma das etapas, o retorno adquirido será muito maior do que o esperado. No caso específico das pequenas empresas que disputam com grandes corporações, a consultoria de design pode ser a chave mestra para sua sobrevivência, solucionando possíveis problemas e destacando os pontos positivos em detrimento aos negativos. A atuação de instituições como o Sebrae na divulgação da atuação desta profissão é uma solução para sanar o desconhecimento do design por parte dos pequenos empresários.
BACCEGA, Maria Aparecida. Gestão de Processos Comunicacionais. São Paulo: Atlas. 2001
CANDIDO, Marconde da Silva. Gestão da Qualidade Em Pequenas Empresas: Uma Contribuição aos Modelos de Implantação. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de mestre em Engenharia de Produção. Florianópolis: 1998
MELLO, Tatiane Schoeweg. Aspectos Relativos À Promoção do Design No Brasil Visando A Área da Gestão. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de mestre em Engenharia de Produção. Florianópolis: 2003
FIGARO, Roseli. Gestão da Comunicação. São Paulo: Atlas. 2005
VIEIRA, Roberto Fonseca. Comunicação Organizacional: Gestão de Relações Públicas. Rio de Janeiro: Mauad. 2004
REDE DESIGN BRASIL, Depoimento de Paulo Tarciso Okamotto. Disponível em:www.designbrasil.org.br/portal/via/conteudo.jhtml acessado em 25 de outubro de 2005.
ERGONOMIA. Disponível em: www.ergonomia.com.br/htm/sebrae.htmacessado em 25 de outubro de 2005.
SEBRAE. Disponível em:www.sebrae.com.br/br(...)entotecnologico_911.aspacessado em 25 de outubro de 2005.
INFOPAPER. Disponível em:www.cspd.com.br/downloads/Infopaper05.pdf acessado em 25 de outubro de 2005.
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